ENTENDENDO A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Parte 4 - A QUEDA DA FRANÇA


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Durante a noite de 9 de maio de 1940, tropas francesas ouviram um vasto murmúrio nas linhas de frente alemãs, e mesmo que o ataque a Holanda, Bélgica e França, tivesse começado na madrugada de 10 de maio, o comandante-chefe aliado Maurice Gamelin só foi avisado duas horas depois do início. Como providência, Gamelin ordenou um avanço para a Bélgica conforme seu antigo plano, as tropas começaram a se deslocar para o nordeste da França, e a Luftwaffe não tentou impedir, pois era exatamente o que Hitler queria que os Aliados fizessem, ficando livre para seus principais exércitos que atacariam mais ao sul.



A Holanda e a Bélgica caíram logo, suas defesas foram esmagadas. E enquanto isso na Grã-Bretanha, Churchill tomava posse como primeiro-ministro.



O principal equívoco do comandante francês em sua estratégia, foi deslocar as tropas para a esquerda da frente aliada, rumo a incursão para a Bélgica, o sistema de ataque alemão de três pontas, foi dividido de forma que usaram 17 divisões num ataque mais ao sul ao norte da Suíça, 29 para conquistar a Holanda e a Bélgica, e 45 mais 7 divisões Panzer para atacar ao centro virar rumo noroeste, assim, isolando as tropas francesas e britânicas na Bélgica.

Os soldados franceses, após passarem o inverno inteiro de 1939-1940 na frente oeste a espera da invasão alemã, estavam incondicionados, durante esse tempo, nada foi feito para mantê-los ativos e preparados para o inesperado. E com o começo dos ataques alemães muita desordem e falta de reação rápida dos soldados franceses foi notado nas batalhas, em algumas batalhas, ondas de soldados fugitivos aterrorizados abandonavam seus postos no auge da histeria.


Além da despreparação dos soldados franceses, os céus no front de batalha eram dominados pelos aviões da Luftwaffe, e seus ataques bombardeando em série eram devastadores. Durante o decorrer dos dias, blindados franceses foram enviados a lutar no sul afim de evitar que os alemães chegassem ao coração da França, mais um erro de Gamelin, os homens de Von Rundstedt, comandante das divisões que atacaram ao sul, não pretendiam ir ao centro da França, ao contrário, desviar para o norte em direção ao mar, afim de isolar os exércitos franceses e britânicos na Bélgica, deixando-os, cercados.



A França resistiu, mas não o suficiente, o povo do leste francês, havia sofrido com a ocupação alemã de 1914, e não queriam passar por isso novamente, sobre isso, Gustave Folcher soldado francês, escreveu:


“As pessoas estão um pouco enlouquecidas, nem respondem ao que lhes perguntamos. Elas só têm na boca uma palavra: evacuação, evacuação... O mais lamentável é ver famílias inteiras na estrada, com o gado que obrigam a segui-las, mas que são forçadas a largar num curral qualquer. Vemos carroças puxadas por duas, três ou quatro lindas éguas, algumas com potrinhos que correm o risco de ser esmagados a cada metro da jornada. A carroça é dirigida por uma mulher, quase sempre em prantos, mas, na maioria das vezes, é um menino de oito, dez ou talvez doze anos que conduz os cavalos. Na carroça, sobre a qual móveis, baús, roupas de cama, as coisas mais preciosas ou mais indispensáveis, foram recolhidos às pressas, os avós também se acomodaram, segurando uma criança muito pequena, um recém-nascido (...) As crianças olham para nós, uma a uma, quando passamos, segurando nas mãos o cachorrinho, o gatinho, a gaiola com canários dos quais não quiseram se separar.”



Enquanto os invasores agiam rapidamente em seus feitos,  os Aliados executavam as atividades tardiamente e com lentidão, de fato, a Wehrmacht era composta pelos melhores soldados, mesmo que a Alemanha não tenha tido nenhum conflito entre guerras que servisse de treinamento para eles, e além disso, as condições precárias que os alemães viviam devido ao Tratado de Versalhes, aumentavam ainda mais o prestígio como mérito de batalha que a Wehrmacht possuía.



“A Wehrmacht, recriada nos anos 1930 a partir de um mero quadro de oficiais, adotou novas ideias, e preparou-se e condicionou-se unicamente para uma guerra continental. Seus oficiais demonstraram mais energia, profissionalismo e imaginação do que a maioria dos oficiais britânicos; os soldados mostraram-se extremamente motivados. Uma disciplina institucional dominou a conduta do exército alemão no campo de batalha, em todos os níveis, e persistiu durante a guerra. Sua dedicação ao contra-ataque, mesmo em circunstâncias adversas, era quase genial. O conceito de travar uma guerra à l’outrance, buscando até o último fôlego a destruição do inimigo, parecia natural aos alemães, mas não aos seus inimigos britânicos e franceses. No campo de batalha, soldados dos Aliados, refletindo suas sociedades, tinham orgulho de se conduzirem como homens razoáveis. A Wehrmacht mostrou do que homens desatinados eram capazes.” (HASTINGS, Max. Inferno 1939-1945)

Em 19 de maio Gamelin foi substituído como comandante militar na França por Maxime Weygand, muito mais disposto e proativo, o novo comandante percebeu que a única forma de livrar-se dos invasores era lançar contra-ataques vindo do sul no norte e noroeste contra os flancos alemães, ficando marcado com os britânicos o ataque de duas divisões francesas e duas britânicas para o dia 21 de maio, mas apenas os britânicos atacaram. Depois disso, mais um ataque anglo-francês foi planejado, porém, nunca aconteceu.



E no dia 28 de maio, a rendição belga, foi oficialmente realizada. Na França em 16 de junho, o primeiro ministro Paul Reynaud renunciou em favor do marechal Philippe Pétain, na manhã seguinte, o marechal se dirigiu ao povo francês pedindo que parassem de lutar, a derrota estava confirmada. A conquista deste países custou a Alemanha 43 mil mortos, a Grã-Bretanha 11 mil, a França perdeu 50 mil mais 1,5 milhões em prisioneiros.



Dos comandantes aliados apenas Churchill possuía disposição de luta, para batalhar até o último homem, a resposta lenta em tomar iniciativas por parte dos Aliados ajudou em muito a derrota da França, e mesmo depois de derrotada, poucos franceses se empenharam em lutar no exílio como fez a Polônia, somente a partir de 1943, quando a ocupação alemã se tornou terrivelmente insuportável, e que estava claro que com a entrada dos EUA na guerra os Aliados ganhariam, é que os franceses em grande número, ofereceu assistência na guerra.



A derrota da França, causou surpresa aos soviéticos, Stalin esperava que a Alemanha sofresse muitas baixas nessa campanha, ele sabia que um dia teria que lutar contra Hitler, e a invasão da França poderia prover tempo suficiente para os soviéticos aumentarem seu arsenal.



Em 10 de junho mais um país adentrava no conflito, a Itália, ao lado de Hitler, liderada por Benito Mussolini do partido fascista, juntou-se aos alemães porque queria um esplendor para a seu país, e sabia que sozinhos, os italianos nunca conseguiriam, assim aliar-se a Hitler parecia garantia de boas recompensas de guerra associadas ao mínimo de baixas.



O armistício da Alemanha e França, foi finalmente assinado em 22 de junho, num vagão de trem em Compiègne, que não marcou o fim, mas, o começo de muitas batalhas que estariam por vir.


(Baseado no livro "Inferno 1939-1945" - Max Hastings) 

Continua... 

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Comentários
3 Comentários

3 comentários :

  1. Gostei muito dessa serie da segunda guerra :)

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  2. A Segunda Guerra Mundial é um assunto que muito me atrai. Adorava falar sobre ela no colégio, e hoje, procuro sempre ler livros que se passam nessa época. Além de terem um valor histórico inestimável, sempre trazem lindas histórias de pessoas que superaram esse período tão trágico de nossa história.
    Adorei o seu blog e os assuntos abordados aqui.
    Tô te seguindo e adoraria receber a sua visita!

    Beijos!
    Fabi Carvalhais
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  3. A segunda guerra realmente é um tema fascinante. Visitarei seu blog sim, com muito prazer. Obrigado pela visita. ;)

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